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sábado, 16 de agosto de 2014

TolerÂnsia


Foto: Anderson de Souza

“Eu não volto mais naquele lugar cheio de macumba”.  Este foi o comentário de uma acadêmica de jornalismo da UFT depois de visitar a propriedade da dona Romana (foto), que constrói esculturas de pedras a pedido dos espíritos, em Natividade-TO.

Esse episódio me trouxe a tona o assunto laicidade, em especial no meio educacional. As escolas e universidades deveriam ser espaços onde esses universos culturais se encontram, local onde esses conflitos deveriam ser desarmados.

A universidade deveria discutir e pensar na possibilidade de não se ter ou não acreditar em uma religião, sem, no entanto, combate-la. É inconcebível uma futura jornalista fazer um comentário tão preconceituoso, uma vez que o princípio ético da sua profissão é a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

No entanto, não adianta cobrar tolerância se o próprio Estado não cumpre a sua constituição. Muitas pessoas ainda confundem Estado Laico com Estado sem religião ou contra a religião, quando, na verdade, consiste na neutralidade do estado, liberdade religiosa e o respeito ao pluralismo.

Peço que não confundam “laicidade” com “laicismo”. Este último é a doutrina do antirreligioso, enquanto que a laicidade tem a base no respeito ao princípio da separação do poder público e administrativo do Estado e do poder religioso.

Com a aquisição de conhecimentos deveríamos nos tornar tolerantes colocando o respeito acima de qualquer preconceito e nos livrar de ideologias obtusas.

Na última quarta-feira, 14, foi inaugurada a praça da 308 sul que possui a imagem de Nossa Senhora de Fátima e 11 painéis sacros. A construção da praça foi uma parceria entre a prefeitura e a Foz|Saneatins. Mais um local para o turismo religioso, este foi o argumento da prefeitura para o financiamento .

Seguindo essa lógica, que se construa uma praça em homenagem ao espiritismo, ao protestantismo, ao candomblé. Vamos tornar Palmas diferente seguindo o que diz a Constituição Brasileira. Somos um Estado laico.

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